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A
comemoração de 10 anos da revista Horse. Fez-me refletir
no que aconteceu neste período no hipismo brasileiro.
Acredito
que este foi o período do “milagre brasileiro”, assim
como no cenário político-econômico do final dos anos 60,
esta última década trouxe-nos progressos realmente
consideráveis. O Brasil se firmou como líder absoluto na
América Latina, conquistamos campeonatos Sul-americanos em
todas as categorias e também títulos Pan Americanos
em 1991, 1995 e 1999. Mas, além das fronteiras de nosso
continente, reinamos também na Europa. O fenômeno Rodrigo
Pessoa, com seus resultados incríveis, inéditos até então
mundialmente inéditos,
veio coroar a brilhante carreira do mago Nelson
Pessoa e levar o nome de Brasil a um posto de destaque no
primeiro mundo do hipismo.
Outro
fenômeno desta década é a verdadeira invasão de jovens e
talentosos cavaleiros brasileiros a terras européias. Os
europeus descobriram que há hipismo no Brasil e nós
brasileiros, redescobrimos o brilhantismo de Neco,
estreitamos o relacionamento e intensificamos a troca.É o
início de uma nova cultura, valorizar o aprendizado e a técnica,
descobrimos que o talento e a habilidade não são
suficientes para se criar um campeão.
A
criação de cavalos nacional, nesta última década, também
começa a colher o resultados dos investimentos. Tivemos três
cavalos brasileiros na composição da equipe olímpicas
medalha de bronze de 1996 e dois na equipe olímpica de
2000. Os criadores mudaram o foco, valorizam a qualidade,
tanto da égua quanto do garanhão, pesquisam linhagens e
desenvolveram um trabalho sério. Já não criam 80 potros
por ano, agora criam apenas 10 ou 15 super potros. Ainda
somos um mercado comprador de cavalos europeus, mas o mundo
começa a descobrir a qualidade do cavalo brasileiro de
hipismo. Fizemos várias e importantes exportações para a
América do Sul, Estados Unidos e Europa.
Este
foi um período de crescimento e popularização do esporte
hoje, além das publicações especializadas de alto nível
técnico e editorial, também temos canais de televisão
cobrindo os principais eventos e transmitindo competições
européias.
Os
centros hípicos se disseminaram, não se faz mais necessário
comprar títulos de clubes fechados e caros para ter seu
cavalo e competir. As pequenas hípicas, os manèges e os
centros hípicos movimentam o hipismo fora do eixo dos
grandes clubes.
Sem
dúvida, tudo melhorou, há mais seriedade e
profissionalismo, mas ainda há muito a fazer.
O
caminho está certo, mas não podemos esquecer que tudo
ainda é muito novo por aqui. Os europeus começaram pelo
menos 200 anos antes, e esta tradição não se compra,
desenvolve-se.
Espero
que daqui a dez anos, no aniversário de 20 anos da revista,
estejamos comemorando medalhas olímpicas por equipe,
agradecendo aos inúmeros patrocinadores; que nossos
talentos que procuraram o velho continente estejam de volta
disseminando conhecimento e, que o topo da pirâmide seja
permanentemente renovado, que muitos novos cavaleiros tenham
chances de participar na formação de equipes brasileiras,
montados em cavalos brasileiros.
Parabéns
horse , parabéns hipismo brasileiro.
Ivan
Camargo
Cavaleiro,técnico
e comentarista da ESPN Brasil
Cel.
9273-4137
e-mail:
igcamargo@uol.com.br
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