|
Uma medalha de
bronze com o gosto amargo de derrota... Infelizmente é a
imagem que ficou.
Injusto, afinal
de contas, ficar entre as três melhores equipes das Américas
é um feito e tanto, nossos cavaleiros merecem reconhecimento
pelo bom resultado mas, temos que encarar os fatos: poderia
ter sido muito melhor!
É o resultado de
uma série de desacertos, desencontros e infelicidades.
Com a escolha
da República Dominicana para sediar os jogos, já perdemos
nossa principal estrela, Rodrigo Pessoa. Este longínquo e
quente país não seria o cenário ideal para receber um dos
melhores e mais caros cavalos do mundo, além do mais, ir aa
Santo Domingo exigiria um afastamento da temporada européia
por muito tempo devido à longa quarentena necessária antes
do regresso.
Acredito que
este fator também desestimulou outros cavaleiros brasileiros
baseados na Europa.
Por outro lado,
no Brasil, cavaleiros experientes e talentosos, que poderiam
preencher as vagas dos “europeus” estão sem bons cavalos.
Portanto, não
gostaria de dissertar sobre a formação da equipe, os
critérios tão discutidos e criticados foram no final
adequados a nossa realidade de total falta de opções, esta
foi a melhor equipe que foi possível formar e, com certeza
essa formação poderia ter rendido muito mais se o trabalho
de nossos dirigentes fosse mais eficiente.
Perdemos a vaga
para participar da Olimpíada em Atenas 2004, e o que é pior,
para a Argentina, há muito que não perdíamos para os
portenhos, e agora nossos dirigentes tentam a vaga no
tapetão... É desolador.
Concordo que o
critério que a FEI utilizou para escolher as três equipes
que irão à olimpíada, foi no mínimo esdrúxulo, foram
classificadas as equipes medalha de ouro e prata, mas a
terceira vaga seria da equipe que somasse menos pontos
perdidos sem direito a descartar nenhum resultado. Não
concordo, o descarte é importante para uma equipe, pode
ocorrer um acidente com um dos conjuntos, uma barrigueira
arrebentar, um tombo, não tem sentido punir uma boa equipe
pelo desvio causado por uma infelicidade de um de seus
integrantes.
No entanto,
entramos no jogo sabendo das regras e agora que perdemos
vamos discuti-las? Por que não levantamos esta questão antes
da competição?
Bravamente Doda
e Bernardo garantiram duas vagas individuais para o Brasil
em Atenas, pelo menos estaremos representados de alguma
forma, mas já se inicia nova discussão: quem irá preencher
as vagas, os dois excelentes cavaleiros que as conquistaram?
De qualquer forma ainda é cedo para pensarmos nisso.
O que
deveríamos discutir com a confederação brasileira é quais os
critérios utilizados para a escolha da comissão técnica que
acompanha as equipes nacionais. Já escrevi para esta revista
sobre a experiência da equipe americana, eles perceberam
depois de muitos resultados desastrosos, que a escolha das
pessoas certas e capazes para acompanhar uma equipe faz
muita diferença no resultado.
Subestimamos a
importância de um bom técnico, alguém seguro e experiente
para acalmar os nervos dos debutantes, alguém para pensar
melhor a ordem de entrada dos cavaleiros da equipe, alguém
que já esteve nesta situação.Não era uma viagem turística,
tínhamos que ter realmente um técnico, fez falta.
Moro na
Inglaterra e aqui aconteceu algo muito semelhante, os
ingleses ficaram fora das próximas olimpíadas, mas a
repercussão é enorme, ninguém se conforma, a imprensa
especializada está criticando tudo e a todos, creio que vai
haver mudanças significativas nas bases do hipismo inglês,
não se fala em tapetão, fala-se em mudanças! A experiência
inglesa prova que não é apenas a falta de dinheiro que pode
desestruturar o hipismo, é claro que num país pobre como o
nosso tudo é bem mais difícil, mas aqui, numa das
superpotências mundiais, o esporte se deteriorou por falta
de diretrizes eficientes que propiciariam a renovação, agora
estão lutando para corrigir a rota e recuperar o espaço
perdido.
Que a amarga
lição dos Jogos Pan-americanos de Santo Domingo traga
modificações ao nosso hipismo e que consertemos a trajetória
o mais rápido possível.
Ivan Camargo
Cavaleiro,
instrutor e comentarista da ESPN Brasil, atualmente radicado
na Inglaterra
Novo
e-mail :
icamargobrasil@hotmail.com
|