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Cavalos de 1,10(ou menos)
0 que está
acontecendo com nossos cavalos desenvolvidos para alçar vôos
hípicos, Os Brasileiros de Hipismo?
Voltei a praticar
Hipismo Clássico(salto )depois de quinze anos afastado por
motivos pessoais. 0 que no meu caso significa dar aulas e
preparar cavalos novos para competições nacionais. Como meu
major prazer vem deste segundo , fiquei muito interessado em
me atualizar com respeito a matéria prima(cavalos) que teria
quinze anos depois.
De uma maneira
prosaica e muito comum , o contei deste artigo surgiu-me de um
passeio pelas cocheiras da primeira Hípica que me estabeleci.
Estava acompanhado de um professor e gerente de escolinha, bem
como preparador e logicamente comerciante de cavalos para
salto, que me apresentava as instalações . Vislumbrei animais
muito bonitos e bem formados fisicamente para o salto, em
muito major número do que quando parei. Deixei transparecer
minha admiração ao meu acompanhante, mas a cada cavalo
observado vinha um se não que me intrigou é um belo animal mas
é cavalo de 1,00 ou 1,10.Pensei:
"com essa estrutura , deve estar enganado." Mal sabia eu que
esta seria a frase a maneira mais comum de descrever um
cavalo que eu ouvia dali por diante cavalo de 1,10.
Não por saudosismo
, ou qualquer tipo de nostalgia, me veio a lembrança os
cavalos que pulávamos quando jovens cavaleiros — mestiços de
crioulo com puros-sangues ingleses vindos dos pampas gaúchos ,
puros-sangues ingleses comprados dos jóqueis como descarte de
corridas, um ou outro mestiço local com raça que variavam do
Árabe ao nacional Mangalarga. O que de melhor aparecia os
cavalos argentinos ou uruguaios, normalmente privilegio dos
grandes centros hípicos como São Paulo , Rio de Janeiro e
Porto Alegre. Aqui em Brasília,onde aprendi a montar e
pratiquei hipismo por muitos anos, esta quarta era opção rara.
O surpreendente é que os cavaleiros tiravam o máximo (não que
ainda não o tirem , não quero parecer pretensioso comparando
gerações pois a minha está ai ao lado de jovens cavaleiros a
sua altura se não melhores)de seus pequenos cavalos , de
genética indeferida para a arte do salto. E claro que
classificávamos os cavalos pela altura que pulavam, mas a
julgar pelo que se tirava da matéria prima disponível a época
e o disponível hoje , senti que tinha um enigma em minhas mãos
que gostaria de resolver — porque cavalos geneticamente
selecionados, com porte e equilíbrio necessários para um bom
cavalo de salto estava atrelados a um limite tão baixo de 1,00
metro a 1,10 ? Vários autores e alguns dos meus mestres,
entendem e apregoam que um cavalo qualquer ,com estrutura
física adequada e um mínimo de aptidão para o esporte, se bem
trabalhado deviam obrigatoriamente fazer percursos a 1,20. Um
pouco pelo que pratiquei no passado e por crer em suas
experiências , também acredito nisto. Como sanar esta questão?
Pensei em começar compartilhando com um ou dois amigos e
prestigiados cavaleiros , técnicos e competidores essa minha
dúvida. Vieram-me duas respostas .A primeira era quanto a
genética - “a que importamos inicialmente não foi das
melhores”. A segunda foi quanto ao tipo de trabalho aplicado a
estes cavalos — “talvez não estejam adequados as exigências e
ao time(inglês) deste tipo de cavalo” . Beleza, comecei bem.
Como genética é muito controvertida e pouco entendo de
linhagens, resolvi me ater a questão do trabalho destes
cavalos. E a melhor forma de fazer isso é me utilizando
daquilo que mais tenho de valor — meu conhecimento prático
destes animais. Fui a luta e montei perto de 30 cavalos num
período de três meses.
Procurei saber o
máximo a história de cada um deles, mas logo pude notar que
esta era facilmente detectável através do seu baixo grau de
flexionamento e performance das andaduras. De modo geral as
respostas a meras cobranças minhas(círculos equilibrados,
trabalhos de espáduas e posteriores, transições sem
resistência foram muito ruins Fiquei igualmente
perplexo(desculpem , mas não é exagero) ao montar cavalos
grandes como se tivesse montando cavalos de 1,50 ou pouco
mais. Quando subi esperava um cavalo que movimentaria meu
corpo fortemente com suas extensas e longas andaduras, como
era de se aguardar de animais daquele porte. Perguntei-me :
será que estão querendo trabalhar estes cavalos como aqueles
que estávamos usualmente acostumados?
Será que o que eu
estava detectando realmente interferiria na qualidade das
apresentações destes animais ? Eu estava voltando. Dizer isso
ao quatro ventos soaria pedante e de fato eu tinha
dúvida.Todos sabem que o mundo hípico, infelizmente , divaga
entre as varias versões de “certo e errado”.Falar não
resolveria . Sem conversas , fui experimentar. A titulo deste
questão pessoal comecei um trabalho regular com 6 cavalos BH
de três criatórios distintos, em variados grau de
flexionamento e salto. Um deste eu considero cavalo novo, com
pouca interferência de outras montadas .Por isso mesmo, um
trabalho mais fácil do que eu teria com a recuperação dos
outros 5 animais. Fui então aplicar minha teoria.
Primeiramente organizei-os para atender os comandos do
cavaleiro de forma suave e precisa, restabelecendo um grau de
confiança perdido em conseqüência de mãos nervosas e
mexelhonas , assentos bruscos e traseiros e pernas indefinidas
, violentas e assim ineficazes . Depois , com melhor domínio ,
os alonguei o que pude. Disciplinei e cadenciei andaduras ,
dando-lhes regularidade e amplitude. Um pouco de trabalho
lateral e em circulo para melhorar o equilíbrio e muitas
transições para confirmar respostas mais precisas. Em suma,
deixei-os atentos aos comandos das ajudas. E... Surpresa!!! Os
cavalos eram realmente grandes cavalos , com andaduras
naturais de grandes cavalos . Cansei, ganhei uma distensão de
virilha e fiquei feliz. Comprei dois dos cavalos que estava
recuperando pois os donos por mais que os alertasse não
acreditavam que isso seria possível. Os outros chamaram tanta
atenção de seus proprietários que não estão mais a venda.Pelo
menos enquanto não demonstrarem seu melhor e obtiverem o preço
que realmente merecem. Eram cavalos de 0,90 ,1 ,00 e o melhor
de 1,10. Eram cavalos faltosos , cavalos desinteressantes ,
sem expressão .Eram cavalos a venda. Com idade entre quatro e
8 anos o mais velho (muitos novos para serem considerados
descartes). Dois deles eu comprei. Gostaria de poder comprar
mais destes belos e incompreendidos cavalos Brasileiros de
Hipismo
Eduardo Beze
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