Entrevista com Ivan Camargo

 Site: Por Fora das Pistas   


Pelos Caminhos do Mundo

Ivan Torres Galvão de Camargo é sem dúvida um dos cavaleiros mais queridos de todo país. Simpático, atencioso e competente, ganhou notoriedade quando montava o difícil Dólar II, cavalo castanho que levou o ginete a uma final de Copa do Mundo.
Com esse animal, que ficou conhecido por sua condução extremamente difícil, Ivan foi o primeiro vencedor do Concurso Indoor, na Sociedade Hípica Paulista.
Com Nelson Pessoa trabalhou quando mais jovem, sendo o primeiro ginete brasileiro a ser contratado pelo maior mestre do hipismo de todos os tempos. Ivan é um professor nato.
Ex-alunos seus fazem sucesso no Brasil e no exterior, como o caso dos irmãos Fernando e Felipe Guinato, radicados na Europa e, no País, o conhecido Yuri Mansur, que herdou de seu primeiro mestre a habilidade de conduzir animais complicados.
Há poucos anos ele se mudou para a Inglaterra, onde permanece até hoje.
Numa decisão difícil em sua carreira, o cavaleiro, embora continue brasileiro com muito orgulho, passou a representar Malta, país que abriu as portas para os concursos mais importantes da Europa, fato que sua pátria natal, não lhe oferecia.
De passagem pelo Brasil, o Por Fora das Pistas conversou com esse grande cavaleiro e depois de um bate-papo descontraído, mandamos algumas perguntas via e-mail, que foram prontamente atendidas. Veja a seguir, um pouco mais sobre o que anda fazendo da vida, Ivan Camargo!

Autor

PERFIL:
Nome completo: Ivan Torres Galvão de Camargo
Data de Nascimento: 01/11/1964
Local de Nascimento: Curitiba - Paraná
Altura: 1.82 m
Peso: 72 kilos
Quando começou a montar: Em julho de 1974
E-mail para contato: icamargobrasil@hotmail.com
Telefone para contato:
00XX44 7721 773338 cel.
00XX44 1279 654267 res. (Inglaterra)


Ivan e o excelente Fido Dido, de Afonso Silveira



ENTREVISTA:

PFDP: Por que mudou do manége onde estava?
Ivan: O Headley Stud onde eu estava foi vendido e o novo dono não quis mais alugar.

PFDP: Fale um pouco sobre seu novo local e encontrou?
Ivan: Chama-se Elsenham Stud, é muito bonito, um antigo haras de puro sangues de corrida; está a 40 minutos do centro de Londres e a 20 minutos da famosa cidade de Cambridge. Temos uma grande área verde, 50 cocheiras, picadeiro coberto, pista de grama e alojamento para tratadores e para receber estudantes.

PFDP: Os alunos que tinha do Hedley continuam montando contigo?
Ivan: Sim, continuam comigo e já chegaram outros também, além de Ingleses, Canadenses, Alemães, Americanos, Argentinos, Colombianos e um garoto do Catar.

PFDP:Tem brasileiros montando contigo? Quais?
Ivan: Sempre recebo muitos brasileiros para clínicas de uma semana até um ano. No momento estão comigo, Thiago Rhavy, Hermano Marin e Gabriel da Matta, que está morando na China e veio passar duas semanas treinando comigo.

PFDP: Você tem participado de provas?
Ivan: No final do ano passado eu voltei a participar mais, e esse ano estou com dois bons cavalos e bastante motivado a competir. Já colhi alguns bons resultados neste inicio de ano.

PFDP: Está com algum cavalo para disputar as provas principais?
Ivan: Sim, tenho um sela francês de 9 anos que quero participar do Jogos do Mediterrâneo em julho na Espanha. E mais um sete anos e um seis anos que estou preparando.

PFDP: Se algum brasileiro quiser ir estudar na Inglaterra e montar contigo é possível? Qual esquema?
Ivan: É só entrar em contato comigo pelo meu site www.ivancamargo.com.br que terá todas as informações necessárias ou então enviar um e-mail. Todos que vieram montar e estudar saíram muito felizes e satisfeitos, aqui essa opção é especial, conciliar cavalo e inglês em Cambridge.

PFDP: Não fica muito caro?
Ivan: Claro que a libra é cara, mas temos vários esquemas para todos que tenham interesse de passar uma temporada aqui conosco, posso assegurar que é um investimento não só no esporte mas em educação e cultura também.

PFDP: Você continua representando Malta?
Ivan: Sim.

PFDP: Ainda pretende disputar Campeonatos Importantes por Malta, como o Campeonato Europeu?
Ivan: Essa é a idéia, tenho preparado meu cavalo para isso em um futuro próximo.

PFDP: O que achou da mudança de gestão na CBH?
Ivan: Prefiro aguardar um pouco para poder opinar no decorrer da nova gestão, tenho vários amigos e conhecidos lá e espero que encontrem o caminho correto para a evolução do esporte no Brasil. Fico aqui na torcida.

PFDP: Ainda falta apoio por parte da CBH aos cavaleiros brasileiros que montam na Europa?

Ivan: Continua faltando apoio mas entendo também que a casa precisa ser arrumada primeiro.

PFDP: Você ainda tem algum sonho como cavaleiro?
Ivan: Sem dúvida, como todo esportista, o sonho Olímpico continua, nem que infelizmente seja representando outro País.

PFDP: Qual seu contato com os brasileiros que residem na Europa?
Ivan: Sempre encontro vários brasileiros nos concursos internacionais, mas tenho um relacionamento mais estreito com os irmãos Fernando e Felipe Guinato, os conhecidos Panelão e Panelinha. Foram meus alunos por muitos anos no Brasil, nos tornamos grandes amigos e mantemos isso até hoje.

PFDP: Virá ao Brasil para comentar a Final da Copa do Mundo na ESPN?
Ivan: Estou nos acertos finais com a emissora e é quase certa a minha ido como faço todos os anos desde 1999.

PFDP: Tem planos para voltar ao Brasil?
Ivan: Por enquanto só a trabalho e para rever os amigos e a família.

PFDP: É verdade que surgiu um convite para treinar a equipe Inglesa de CCE na parte de salto?
Ivan: Sim, é verdade. Aqui o CCE é muito desenvolvido, tem muito investimento e é bem profissional. Fui chamado para uma entrevista na Federação inglesa e devo começar a trabalhar com eles em Junho, treinando a equipe principal para salto.

PFDP: Como você define seu estilo de equitação?
Ivan: Um estilo clássico, simples mas bem feito, explorando muito o trabalho e controle dos cavalos.

PFDP: Tem algum história engraçada ou interessante para contar que tenha acontecido em seus anos todos no circuito hípico?
Ivan: Entre as várias histórias desses meus 31 anos dentro do esporte uma das mais engraçadas se passou com o talentoso cavaleiro e amigo Fabinho Bozon: No final da década de 80 quando o Fabinho se tranferiu para a Bélgica para trabalhar com o François Mathy ele ainda não falava nada do francês. Um dia ele estava voltando para sua casa depois de mais um dia de trabalho, quando viu um coelho gordo cruzar seu caminho, perto das cocheiras, mais rápido do que nunca deu um salto do carro e foi caçar o pobre coelho, sem notar que o bicho não fugiu e não ofereceu nenhuma resistência. Vinha ele já com um pedaço de pau e acertou o coelho, matando-o em um golpe só. Levou-o para casa, o limpou, fez um cozido e esticou o couro do pequeno roedor na parede e por fim convidou François Mathy para uma coelhada. Nesse meio tempo a Madame Mathy e o próprio François já estavam a procura do coelho de estimação que era criado como um cachorro e muito manso. Quando o François chega na casa do Fabinho para a tal coelhada viu o couro de seu coelho esticado na parede . Quase ficou louco , saiu gritando e chingando extremamente irritado. Como o Fabinho não entendia nada de francês, acabou por ficar algumas horas sem entender nada do ocorrido , como também ficara sabendo que havia perdido o emprego. No fim , passado e momento da raiva , acabou recuperando o seu trabalho. Fabinho é sem dúvida um dos mais talentosos e geniais cavaleiros que pude ver montar é dono de inúmeras histórias engraçadas.

PFDP: O que acha do site Por Fora das Pistas?
Ivan: Acho que está a cada dia melho, com informações seguras e colocações oportunas. Sem sombra de dúvida é onde eu acompanho o que está acontecendo no Hipismo Brasileiro. Vocês estão de parabéns!


BATE-BOLA:


Um ginete: Ainda Nelson Pessoa.

Um ídolo: meu Pai.

Uma religião: Deus.

Um objeto de desejo: Uma casa na Califórnia de frente para a praia.

Um cavalo inesquecível: MC Tambo Nuevo.

Uma bebida:
Vinho tinto.

Uma mulher atraente:
Depois de viver esses anos na Europa posso te afirmar que é a brasileira!

Um filme:
O carteiro e o poeta.

Uma cor:
Azul.

Uma prova inesquecível:
O primeiro Indoor, 1993, quando venci com o Dollar.

Um instrutor:
Nelson Pessoa.

Um país:
Sem dúvida, o Brasil.